Skip to main content

Quando o excecional passa a ser a norma: Portugal na linha da frente das alterações climáticas (II)

A Europa não está impreparada em termos científicos para enfrentar as alterações climáticas.

Nas últimas décadas, a União Europeia (UE) construiu a capacidade operacional de inteligência climática mais avançada que existe atualmente. Por meio de investimentos contínuos da Comissão Europeia e da Agência Espacial Europeia, a Europa opera uma constelação de satélites de observação da Terra, juntamente com densas redes terrestres e modelos climáticos de alta resolução. A monitorização, previsão e atribuição já não estão limitadas aos exercícios académicos, estão incorporados em serviços públicos que orientam a resposta a desastres naturais, a gestão da água, a agricultura e o planeamento a longo prazo.
É aqui que surge um paradoxo. Embora a Europa lidere o mundo na observação, modelos e ciência de atribuição de eventos climáticos — e tenha começado a reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa —, as concentrações globais continuam a aumentar, e os impactos físicos do aquecimento têm acelerado mais rapidamente do que muitas medidas de adaptação conseguem absorver, inclusive na Europa. O continente está a aquecer mais rapidamente do que a média global, e a sua exposição é cada vez maior, não obstante o aumento da sua capacidade científica. O conhecimento avançou mais rapidamente do que a transformação. O problema não é a ignorância, nem a falta de dados, mas sim o crescente fosso entre o que sabemos e o que estamos dispostos a mudar.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico