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Quando o excecional passa a ser a norma: Portugal na linha da frente das alterações climáticas (I)

A chuva não chegou como um aviso. Chegou como uma rutura. Estradas fechadas, rios a transbordar, bairros temporariamente isolados. Em todo o território português e, mais amplamente, em toda a Península Ibérica, os primeiros meses do ano foram marcados por uma sucessão de tempestades que transformaram infraestruturas rotineiras em pontos de falha e o clima normal numa força organizadora da vida quotidiana.

O instinto de descrever tais eventos como “excecionais” continua a ser muito forte. Isso tranquiliza-nos, pois mostra que a normalidade ainda existe em algum lugar além da planície aluvial. No entanto, a repetição corrói a linguagem. Quando chuvas recordes ocorrem não uma, mas várias vezes numa única estação do ano, quando as respostas de emergência são repetidamente ativadas, o que foi classificado de “excecional” deixa de fazer sentido. O que estamos a testemunhar não é uma coincidência de infortúnios, mas a lenta normalização da perturbação.

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