Vamos ser menos e mais velhos. É uma tendência global, inescapável. Entre 2015 e 2025 a pirâmide etária mundial perdeu 14,34 milhões de crianças entre os 0 e os 9 anos. Até 2035, prevê-se nova redução de 2%. A taxa de fecundidade na Europa ronda os 1,34 filhos por mulher, muito abaixo dos 2,1 necessários para assegurar a renovação das gerações. Um inquérito europeu indica ainda que um em cada três jovens não quer ter filhos, 27% pretende apenas um, 33% dois e só 9% admite três ou mais.
“A China, a Europa e a Rússia são quem mais contribui para o inverno demográfico. Só África crescerá 12%, com uma projeção de 50 milhões de nascimentos até 2035”, diz Luísa Canto e Castro Loura, diretora da Pordata, da Fundação Manuel dos Santos, ao Jornal Económico.
Portugal segue e até agrava este padrão. Já é inverno. É o segundo mais envelhecido da Europa. A idade média do primeiro filho já ronda os 30 anos. As projeções apontam que, em 2060, mais de 35% da população portuguesa terá mais de 60 anos.
É precisamente a partir daqui que o retrato ganha maior densidade quando observado à luz das projeções demográficas mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE). No cenário central traçado até ao final do século, Portugal não só continuará a envelhecer como verá a sua base ativa encolher de forma acentuada.
A população portuguesa total deverá atingir 10,9 milhões em 2029, iniciando depois um declínio prolongado até aos 8,3 milhões em 2100. Em paralelo, a população em idade ativa poderá cair de cerca de 6,7 milhões para 3,8 milhões até 2080, um sinal particularmente crítico para a economia e sustentabilidade do sistema de segurança social, que não terá quem o financie. Será uma redução de 43%, traduzindo um encolhimento significativo da força de trabalho e, por isso, da base contributiva.
Portugal instalado no inverno demográfico
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É uma corrida contra o tempo. Vamos ser menos, mais velhos. É uma tendência global. Os sistemas vão estar sob pressão. Não para o futuro, é agora.