É no distrito financeiro de Londres, no 22 Bishopsgate, um dos arranha-céus mais altos do Reino Unido, que Gordon Ramsay continua a expandir o seu império da restauração. No topo desta torre, a 300 metros de altura, o chef britânico abriu o restaurante Gordon Ramsay High, uma experiência gastronómica exclusiva. “Temos apenas 12 lugares, literalmente no céu. Servimos um único menu de degustação por noite, de terça-feira a sábado. Os clientes chegam às 19h30 e a experiência dura cerca de três horas“, explicou na série documental da Netflix, intitulada “Being Gordon Ramsay”.
Este é mais um marco na expansão do grupo Gordon Ramsay Restaurants, que acolhe ainda outros três conceitos no mesmo edifício: Lucky Cat (cozinha de inspiração asiática) e Bread Street Kitchen & Bar (dos pequenos-almoços aos hambúrgueres gourmet) e a escola de culinária Gordon Ramsay Academy. “O processo foi incrível”, diz o empresário. “Quando recebemos a notícia de que o espaço era nosso, ficamos muito animados com o que seríamos capazes de realizar. Começamos a analisar as imagens e a pensar no potencial.”
Mas concretizar um projeto desta dimensão tem um preço. O grupo já investiu mais de 20 milhões de libras (23 milhões de euros) para o tornar realidade. “Temos uma das rendas mais elevadas do mercado para pagar e dependemos de um grande fluxo de clientes. Felizmente, estamos a receber cerca de mil reservas por dia. São números dignos de um estádio”, afirma.
Os riscos são elevados — não apenas do ponto de vista financeiro, mas também ao nível das expectativas. Há lugares para preencher todas as noites, cerca de 250 funcionários para gerir e, num projeto desta dimensão, não há margem para erros. Quase três décadas depois da sua criação, em 1998, o império do chef conta com 37 restaurantes no Reino Unido, 35 nos Estados Unidos e mais 22 distribuídos por mercados internacionais, incluindo Xangai, Coreia do Sul, Malásia, França, Dubai, Singapura e Tailândia. Pelo meio fundou ainda o estúdio de produção multimédia Ramsay Global, em parceria com a FOX Entertainment, e com escritórios em Londres e Los Angeles.
Este foi um negócio construído a partir de uma combinação rara de instinto criativo e visão estratégica, cuja joia da coroa é o restaurante Gordon Ramsay, em Chelsea — mantém três estrelas Michelin há mais de duas décadas, enquanto o grupo soma já nove estrelas a nível internacional. Em todo o portefólio da empresa, Ramsay conseguiu equilibrar a excelência da alta gastronomia com conceitos mais acessíveis e próximos do grande público — uma combinação que mantém o seu nome como uma das marcas mais reconhecidas da indústria. Os restaurantes Hell’s Kitchen, inspirados em seu programa de TV de longa data, tornaram-se locais de peregrinação para os fãs — principalmente a unidade de Las Vegas , onde as filas são constantes.
O império não foi conquistado facilmente. Em 2010, o chef enfrentou uma polémica com o seu sogro, que geria as finanças da Gordon Ramsay Holdings. Foram descobertas irregularidades financeiras e má gestão dos fundos da empresa. A rutura entre os dois foi drástica. O conflito resultou em processos judiciais, trocas de acusações públicas e uma profunda reestruturação do grupo, obrigando-o a assumir sozinho o controlo do negócio.
Em 2019, Ramsay percebeu que, se quisesse levar a sua marca para o próximo nível, precisaria mais do que talento e instinto — era necessário mais dinheiro. Associou-se ao fundo Lion Capital, responsável pelo crescimento de marcas como a cadeia de restauração Wagamama, as batatas Kettle e a Jimmy Choo. O investimento de 100 milhões de dólares (87 milhões de euros) deu-lhe o músculo financeiro necessário para acelerar a expansão nos Estados Unidos e reforçar a presença na Europa. Ramsay, de 59 anos, quer transformar o próprio nome num negócio capaz de crescer sem depender exclusivamente da presença na cozinha. “Sinceramente, não quero ficar acorrentado ao fogão. Quero ensinar. Quero elevar o mundo culinário e continuar a formar talentos.”
O império Ramsay
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O chef Gordon Ramsay já não vende apenas refeições. Vende uma marca global com 94 restaurantes, nove estrelas Michelin e um estúdio de produção multimédia. A prova mais recente dessa ambição fica no topo de um arranha-céus em Londres, onde abriu um restaurante exclusivo a 300 metros de altura.