O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, considera que a crise atual de petróleo e gás desencadeada pelo bloqueio do estreito de Ormuz é "mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas".
"O mundo nunca experimentou uma interrupção no fornecimento de energia de tal magnitude", disse o responsável numa entrevista ao jornal francês Le Figaro publicada nesta terça-feira, 7 de abril.
Birol declarou que os países europeus, assim como Japão, Austrália e outros, irão sofrer com a crise, mas que quem está em maior risco são os países em desenvolvimento, que enfrentarão alta de preços do petróleo e gás, encarecimento dos alimentos e aceleração geral da inflação.
Birol considerou "haver também motivos para ser otimista", já que "a arquitetura do sistema energético mundial vai mudar" nos próximos anos, disse, considerando que a crise energética ligada à guerra no Irão deverá acelerar o desenvolvimento das energias renováveis, nucleares e dos veículos elétricos.
"Isso levará anos. Não será uma solução para a crise atual, mas a geopolítica da energia será profundamente transformada", declarou o economista turco, que estima que "algumas tecnologias avançarão muito mais rapidamente do que outras", assim como alguns setores, como o dos carros elétricos, que "vão desenvolver-se".
"É o caso das energias renováveis, da energia solar e da eólica, cuja instalação é muito rápida. Haverá um recurso às energias renováveis, muito rapidamente, numa escala de alguns meses", afirmou.
Para Birol, a crise deverá também "reavivar o impulso a favor da energia nuclear, incluindo os pequenos reatores modulares", enquanto alguns países poderão contar com capacidades adicionais, graças ao prolongamento da vida útil das centrais existentes.
Até lá, a curto prazo, os países terão de "utilizar a energia da forma mais prudente possível, poupando-a e melhorando a sua eficiência".
Fatih Birol, igualmente "muito pessimista", voltou a sublinhar que "o mundo nunca conheceu uma perturbação do abastecimento energético de tal magnitude".
O mundo prepara-se para entrar num "abril negro", alertou: "O mês de março foi muito difícil, mas abril será muito pior", repetiu, após ter feito declarações semelhantes na semana passada.
"Se o estreito [de Ormuz] permanecer efetivamente fechado durante todo o mês de abril, perderemos o dobro do petróleo bruto e dos produtos refinados que em março", alertou.
Os países-membros da AIE concordaram no mês passado em libertar parte de suas reservas estratégicas de petróleo. Parte delas já havia sido libertada mas processo continua, comentou Birol.
Em reação aos ataques de Israel e dos EUA, o Irão bloqueou quase totalmente o tráfego no estreito de Ormuz, por onde passa regularmente cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais, criando uma subida nos preços da energia.