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Berlengas, paraíso para turistas, inferno para vigilantes

É uma das joias portuguesas e um postal incrível para quem as visita. Porém, o SinFAP denuncia as miseráveis condições de vida de quem as protege. Governo, autarquia e ICNF dizem estar em conversações para resolver os problemas. Há dinheiro, só falta saber quem o vai gerir

À terceira tentativa, o mar cedeu. Durante dois dias, o vento e a ondulação forte impuseram as regras, adiando a travessia até ao Arquipélago das Berlengas, a seis milhas de Peniche. Mas, “Poseidon” lá acalmou os ânimos, permitindo navegar no Atlântico. Bastaram trinta minutos para trocar o continente por um cenário idílico. “Hoje em dia, com estes barcos, já quase ninguém enjoa”, diz David Completo, da Feeling Berlenga, enquanto o catamarã avança suave, tentando rebater a velha ideia de que visitar as Berlengas é como enfrentar um pequeno Cabo das Tormentas. A verdade, porém, é que depende dos dias.
Ao aproximarmo-nos avista-se a Berlenga Grande, O-da-Velha e os Farilhões rodeados por 985 hectares de área marinha protegida. Pedaços de paraíso que recebem anualmente cerca de 80 mil visitantes. Para evitar pressão excessiva de turistas, o acesso é agora limitado. Apenas 550 pessoas podem permanecer em simultâneo na ilha. Este será um dos poucos territórios nacionais que acumula tantos selos de proteção: Reserva Natural desde 1981, Zona de Proteção Especial para Aves desde 1999, Reserva da Biosfera desde 2011 e, mais recentemente, Zona Especial de Conservação.

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